segunda-feira, 2 de maio de 2016

Velejador alemão Erik Heil no hospital após competir no Rio de Janeiro

O velejador alemão Erik Heil foi hospitalizado após participar do evento-teste de vela realizado na Baía de Guanabara neste mês. Depois de conquistar o terceiro lugar da competição preparatória para a Olimpíada de 2016, Heil precisou passar por pequenas cirurgias, já na Alemanha, para tratar de uma infecção multirresistente que ele suspeita ter contraído devido à poluição no Rio de Janeiro. Oficialmente, a causa da infecção está sob análise.




Heil, que tem 26 anos, foi tema de uma postagem no blog oficial da equipe alemã de vela. Na publicação, o velejador mostrou cicatrizes na perna e no quadril causadas pela infecção. Heil disse ainda que nunca havia contraído algo parecido e aponta esgoto despejado na Marina da Glória, de onde os barcos de competição partes para os locais de regatas, como causa do problema.

“Eu nunca tive na minha vida infecção nas pernas. Nunca!”, afirmou ele, ao blog. “Eu suponho que a contrai na regata-teste. O problema, provavelmente, é a água da Marina da Glória, que recebe esgoto desenfreado o hospital da cidade.” $!$render-component.split(‘/’)[$math.sub($render-component.split(‘/’).size(), 1)]

De fato, a marina é ponto deságue da rede de coleta de água pluvial do centro do Rio. O próprio governo do Estado admite a contaminação dessa água por esgoto clandestino. Por isso, até iniciou uma obra para desviar o despejo da água que chega à marina direto para o emissário submarino de esgoto.

Essa obra deveria ter ficado pronta no início de agosto, portanto antes do evento-teste de vela. Atrasou e só deve acabar em dezembro.

Antes da competição, entretanto, uma biorremediação –aplicação de bactérias para combate à poluição— foi feita na Marina da Glória. Segundo governo e o Comitê Organizador Rio-2016, todos os locais de competição, incluindo a Marina, apresentavam condições para o esporte quando o evento-teste ocorreu.

Depois de Heil acusar a infecção, o secretário estadual do Ambiente, André Correa, afirmou que não acredita que a água da baía tenha sido a causa do problema. “Não parece provável que tais problemas, tão graves, tenham decorrido da água da Baía nos pontos de Vela. O próprio corpo médico da Federação Internacional de Vela considerou os problemas ocorridos em função do número de atletas participantes dentro da normalidade”, declarou.

O Comitê Organizador Rio-2016 ainda não se pronunciou sobre o caso.

O alemão Heil, entretanto, já avisou que vai tomar precauções extras quando voltar ao Rio para velejar e recomendou que equipes de vela convoquem médicos antes de viajar ao Brasil. “Considero navegar com revestimentos plásticos e usar sapatos neoprene”, disse ele. “Tenho certeza que todos que estão chegando ao Rio devem inserir um médico em sua equipe.”
Heil é o segundo caso de atleta afetado por problemas de saúde depois de velejar na Guanabara. Ainda durante o evento-teste de vela, sul-coreano Wonwoo Cho passou mal e foi internado sofrendo com febre, calafrios, vômito e desidratação.

O técnico de Cho, Danny Ok, também culpou a água da baía em postagem em seu perfil numa rede social. “Parece que ele foi infectado por algum vírus em algum lugar no local de competição que deveria estar supostamente seguro e limpo como um local olímpico”, reclamou o treinador.

O problema foi minimizado por organizadores do evento-teste. Cho voltou a competir no Rio após recuperar-se.
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